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“Como comprar a felicidade” – Resenha do artigo de Gustavo Cerbasi

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“COMO COMPRAR A FELICIDADE” -  Gustavo Cerbasi

http://www.maisdinheiro.com.br/artigos/como-comprar-felicidade.html

Tem razão Gustavo Cerbasi em seu artigo, que faz lembrar a conexão entre a compra da felicidade por meio do consumo, que nos anos 90 foi estudada por Bauman, em “A Modernidade Líquida e a Globalização. É muito intrigante refletir sobre como o consumo gera uma insatisfação que o alimenta e como as pessoas buscam a felicidade ansiosamente, o que na verdade seria a tentativa de comprar a felicidade.

Na sociedade moderna o consumo nos divide entre os que podem e os que não podem consumir. Muitas vezes, quando não conseguimos o nosso objeto do desejo de consumo chegamos ao nervosismo e à insônia. As pessoas se tornam inseguras, parecem mais irritáveis e intolerantes com o que não tem importância para a busca da satisfação.

O que move o consumidor é a promessa da felicidade. As pessoas buscam nos produtos a excitação de uma sensação nova, mais do que a simples posse, que em breve se torna ultrapassada. Talvez possamos dizer que os consumidores se tornaram acumuladores de sensações!

Quando chegamos a essa roda viva de sensações que buscamos no consumo, nos tornamos aquilo que pode ser qualificado de “consumidor ideal”, o alvo preferido de qualquer campanha publicitária. A busca do consumo para a nossa satisfação nos torna mais individualistas, já que consumir é uma atividade solitária, que só pode ser apreciada pelo indivíduo, até mesmo distanciando membros da mesma família. Quanto à solidariedade e cooperação, no consumo elas passam a ser desnecessárias.

As promessas e esperanças de satisfação são criadas antes mesmo que haja a necessidade de um determinado bem ou produto, esse é o trabalho da propaganda, criar promessas tentadoras, sempre mais intensas e atraentes do que as necessidades reais.

Se o consumidor se tornar plenamente satisfeito poder reduzir o seu consumo e esse não é o objetivo do mercado. Para que o sistema funcione é preciso aumentar a capacidade de consumo e para isso os consumidores precisam ser mantidos sempre alertas e expostos a sensações e novas tentações, num estado de perpétua insatisfação. Para o mercado dos produtos e bens é importante que os desejos sejam mantidos.

Para isso, nada melhor do que a produção daquilo que é efêmero, que não dura. Nosso mundo é de objetos descartáveis. Exatamente para que as atrações e seduções possam continuar indefinidamente. A imitação dos estilos e a criação contínua de novas modas também é muito útil e também ajuda a movimentar milhões. O detalhe é que não existe um momento de satisfação e felicidade, que é sempre temporária.

Na sociedade moderna a satisfação e felicidade é sempre adiada, para que “um dia…” possamos alcançar o nosso desejo. Para isso é preciso poupar e trabalhar, em nome do futuro momento em que consumiremos. Quanto mais trabalhamos mais consumimos e quanto mais consumimos mais trabalhamos, adiando a nossa felicidade e satisfação, que é move o desenvolvimento e crescimento econômico.

Talvez “um dia…” teremos o suficiente para consumir tudo que queremos. Não adianta pressa, porque não pode ser “ainda”. Enquanto isso continuamos trabalhando, na esperança de satisfação e felicidade. Esse estímulo é forte, é o poder motivador do desejo, que coloca as pessoas para trabalhar, permanecendo na esperança. Se até bem pouco tempo o adiamento da felicidade nos fez trabalhar, investir e poupar, hoje já passamos para outro estágio, o da sociedade de consumidores. O consumo precisa ser já, para sermos felizes. Sem perceber acabamos transformando o consumo no supremo propósito da vida.

Por: Regina Di Ciommo

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